A importância da escuta atenta na Educação Infantil

A importância da escuta atenta na Educação Infantil

A educação infantil só ganhou importância para todas as crianças a partir das décadas de 70 e 80. A Constituição Federal de 1988 é considerada um marco para Educação Infantil, contanto que esclareça o direito à educação às crianças de 0 a 6 anos. Posto que, compreende a Educação Infantil como uma etapa da Educação Básica, na qual inicia o processo educacional e é fundamental para a entrada da criança em sua vida acadêmica.
Esse começo, muitas das vezes, marca a separação das crianças com seus familiares e seus vínculos afetivos precisam fundir ao novo. No caso, o educador que receberá essa criança precisa mostrar interesse pela criança, perguntar como ela está e transmitir segurança nessa aproximação. Porém, não se deve insistir muito, pois o pequeno ainda está sentindo o peso da separação. O choro, que acontece no momento da chegada da criança a creche, faz parte desse começo e nem sempre significa que a criança não queira ficar no ambiente escolar. Às vezes, é uma forma de mostrar que, apesar de estar entrando em um novo mundo e conhecendo novas pessoas, ainda considera a família como figura central de sua vida. Com as ações pedagógicas desenvolvidas para o acolhimento e adaptação das crianças do berçário e dos infantis, o desconforto dos pequenos é substituído por despedidas mais tranquilas.
Para tanto, a ideia que associa educar e cuidar ganha força na Educação Infantil o que traz o cuidado como algo inseparável do processo educativo. Nesse contexto, as creches e pré-escolas, ao acolher as vivências e os conhecimentos construídos pelas crianças no ambiente da família e no contexto de sua comunidade, e articulá-los em suas propostas pedagógicas, têm o objetivo de ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando novas aprendizagens, atuando de maneira complementar à educação familiar – especialmente quando se trata da educação dos bebês e das crianças bem pequenas, que envolve aprendizagens muito próximas aos dois contextos (familiar e escolar), como a socialização, a autonomia e a comunicação. (BNCC)
É preciso pensar em espaços para que a criança possa viver sua curiosidade, sentir e estar no mundo, tendo suas particularidades atendidas. Assim, sendo considerada como ser social, tem suas histórias respeitadas sendo ouvidas em suas decisões e opiniões, o que permitem formular, questionar, construir e reconstruir espaços que a cercam.
De acordo com as DCNEI, em seu Artigo 9º, os eixos estruturantes das práticas pedagógicas dessa etapa da Educação Básica são as interações e a brincadeira, experiências nas quais as crianças podem construir e apropriar-se de conhecimentos. O seu desenvolvimento se dá em interações com o outro sendo adulto x criança e criança x criança, tudo em um espaço e tempo determinados que garantam a socialização como um todo.
Visando uma educação de qualidade nossa Instituição desenvolve propostas pedagógicas nas quais as crianças experimentam diversas possibilidades de aprendizagens. Estas propostas são embasadas pelas diretrizes curriculares alinhadas aos estudos seguindo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelecida pela Secretaria de Educação e Cidadania.
Todo estudo e prática pedagógica são acompanhados pela equipe técnica desta mesma secretaria.
Diante do cenário proposto pelos documentos norteadores todo ambiente escolar foi pensado visando oportunizar o protagonismo infantil na organização dos espaços. Para tanto realizamos a escuta ativa da criança assegurando que os ambientes se tornem provocadores e desafiantes para aprendizagem e construção de novos significados e vivências de emoções e sentimentos.
Com os Programas Institucionais Escola Segura – um novo olhar para todos; Espaços que Educam; A Arte de se Alimentar; Parque com intervenção; desenvolvemos ações educativas com as crianças e comunidade escolar garantindo a segurança e acessibilidade de todos nos diferentes espaços da escola. Trabalhamos diversos temas orientando sobre a segurança da criança em todos os espaços por elas frequentado, envolvemos as famílias com boletins informativos e dicas de prevenção a acidentes domésticos.
Enfatizamos a importância da alimentação como um ato de cuidado consigo, com o outro e com o ambiente.
O também institucional programa “Comunidade Leitora” torna a leitura algo indispensável para alimentar a criatividade, ampliar pontos de vista, aprimorar a capacidade argumentativa, e exercitar a empatia. Com essa proposta as crianças podem levar para casa, exemplares de livros de acordo com a faixa etária, escolhidos por elas, tendo um tempo de leitura com seus familiares. Os livros para empréstimo da comunidade ficam acessíveis, assim em momentos de espera contribuem para conscientização de que a leitura é uma via de acesso a diferentes conhecimentos, sensações e experiências, realizando-a por prazer.
Com o objetivo de reestruturar o momento do parque com intencionalidade educativa, envolvemos as crianças e todos os funcionários tanto na construção e manutenção dos brinquedos estruturados e não estruturados, como na execução de brincadeiras valorizando o brincar direcionado.
Tendo o olhar atento para essa escuta ativa realizamos avaliações com as crianças, permitindo que expressem seus sentimentos em relação ao que vivenciam diariamente.
Pesquisa de Satisfação sobre os Espaços da creche
As práticas do professor precisam estar alinhadas e comprometidas com as necessidades e os interesses da criança, para que a vivência se transforme em uma experiência e tenha, de fato, um propósito educativo.
Focam na experiência da criança, trazendo à tona o modo que ela enxerga a sua vida e o mundo. Os pequenos quando atuam criativamente produzindo sua própria cultura, deixa de ser receptor de informações e se torna protagonista do seu aprendizado.
As primeiras formas de interação do bebê são os movimentos do seu corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que ganham sentido com a interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação. Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social.
Ainda, estando sensível a essa escuta, valorizando a fala de cada criança garantimos diversas vivências em sala de aula, possibilitando interações ricas em aprendizagens tendo o lúdico priorizado. Para que todo aprendizado seja proveitoso, deve partir do ponto de interesse de cada turma e suas curiosidades. Deixar que relatem seus desejos por brincadeiras e propostas no momento de construir uma rotina é sensibilizar ao propósito educativo.
Aproveitando diversas atividades lúdicas que compõem o aprendizado previsto nas Propostas Pedagógicas, mantemos as crianças e os professores motivados e prontos para que o ensino – aprendizagem de fato se concretize.
Por Jane Camargo
Vice-diretora CEDIN Jardim Castanheiras

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